Eu não tenho traumas

Como sabes disso?

Ana, mas eu não tenho traumas. 

Como sabes disso? 

Não vivi nada parecido contigo, não perdi um filho, tive uma infância feliz. 

Não há nenhum evento que me tenha marcado.


Sabes o que me tem fascinado no estudo do trauma através da Experiência Somática desenvolvida por Peter Levine?

Que não é a gravidade do evento que determina o trauma, é a nossa percepção de ameaça e a incapacidade de lidar com ela. 

Isto significa que: 

1. Um evento aparentemente 'pequeno' pode ser profundamente traumático

2. A mesma experiência pode traumatizar uma pessoa e não afetar outra; 

3. A nossa resposta ao trauma é única e pessoal.

E há algo ainda mais importante.

Para reparar o trauma, não precisamos de: 

  • Reviver intensamente o evento traumático; 

  • Passar ou provocar catarse emocional; 

  • Falar sobre a história “traumática” vezes sem conta. 

Porquê?

Porque o que importa não é o evento em si, mas como o nosso sistema nervoso respondeu na altura e como podemos restabelecer a sensação de segurança no presente.

Compreender isto ajuda a desconstruir um dos maiores mitos sobre trauma: o trauma só acontece com eventos muito graves ou extraordinários.

Quando falamos de trauma, não estamos apenas a falar de grandes tragédias

Podemos estar a falar de: 

  • Uma criança que cresceu com um pai emocionalmente ausente; 

  • De situações de bullying na escola que foram diminuídas pelos adultos cuidadores;

  • De cirurgias ou procedimentos médicos na infância; 

  • De momentos em que nos sentimos profundamente envergonhados ou humilhados.

O trauma pode: 

  • Ser subtil; 

  • Pode estar mascarado nas nossas reações quotidianas; 

  • Pode estar protegido pelos nossos medos inexplicáveis; 

  • Pode estar a ser reatuado nos padrões que repetimos sem entender porquê. 

E sabes o mais interessante?

O nosso corpo guarda estas memórias. 

Mesmo que a nossa mente consciente diga “não tenho traumas”, o nosso sistema nervoso pode estar a contar uma história diferente…

Reparar o trauma é possível.

E começa precisamente no reconhecimento de que não há histórias “pequenas” ou ”grandes” demais. 

Há apenas a tua história, única e válida, merecedora de compreensão e cuidado. 

Talvez agora seja o momento de olhares para a TUA história com mais gentileza e curiosidade.


 
 
 

Abraço sereno,

Ana Higuera

 

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